Como evitar se envolver com as pessoas erradas?

Quando nos interessamos por alguém, procuramos perceber se combinamos com essa pessoa. Procuramos interesses em comum, afinidades, maneiras semelhantes de pensar e características que tornam a convivência agradável. Quando encontramos muitas dessas semelhanças, é natural concluir que encontramos alguém compatível conosco.

Mas nem toda compatibilidade é boa.

Duas pessoas podem combinar justamente porque seus vícios se encaixam. Uma pessoa irresponsável pode encontrar conforto em alguém que não exige responsabilidade. Alguém excessivamente dependente pode sentir segurança ao lado de quem gosta de controlar. Duas pessoas inclinadas aos excessos podem encontrar prazer em validar mutuamente seus comportamentos.

Nesses casos, existe uma compatibilidade real. O problema é aquilo que está sendo compatibilizado.

Uma relação pode facilitar que sejamos aquilo que já somos, mesmo quando precisamos mudar. Se a outra pessoa não nos confronta, não nos exige e ainda encontra prazer nos mesmos comportamentos que deveríamos superar, a relação pode se tornar uma forma de proteção contra o nosso próprio desenvolvimento.

É por isso que algumas relações parecem funcionar tão bem enquanto nenhuma das partes muda. A mudança de uma delas pode alterar justamente aquilo que sustentava a sensação de compatibilidade. Quando uma pessoa começa a abandonar um vício, assumir mais responsabilidades ou desenvolver uma virtude, pode deixar de encontrar na outra a mesma afinidade que encontrava antes.

O problema, portanto, não é simplesmente descobrir se combinamos com alguém. Precisamos descobrir por que combinamos.

Para isso, o autoconhecimento é fundamental. Precisamos conhecer nossos próprios vícios e virtudes para perceber o que a relação está reforçando em nós. Uma pessoa pode combinar com nossas fraquezas e, por isso, tornar mais fácil permanecermos como somos. Outra pode combinar com nossas melhores disposições e estimular o desenvolvimento delas.

Isso não significa procurar alguém que seja perfeito ou que esteja sempre nos corrigindo. Significa perceber se a relação, como um todo, favorece aquilo que há de melhor em cada um.

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