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Mostrando postagens de 2026

Por que existem cristãos de esquerda e de direita?

Como pessoas que seguem a mesma religião e consideram a Bíblia uma autoridade moral podem defender posições políticas tão diferentes? Uma explicação é apresentada por George Lakoff, em Moral Politics . Segundo o autor, as diferenças entre cristãos conservadores (geralmente associados à direita) e progressistas (geralmente associados à esquerda) estão relacionadas às concepções morais que orientam suas interpretações da Bíblia. Essas concepções podem ser compreendidas a partir de dois modelos de família: o do pai rigoroso e o do pai cuidador. No modelo do pai rigoroso , a moralidade está associada à disciplina, à obediência à autoridade e ao autocontrole. Como os seres humanos são considerados moralmente fracos, precisam aprender a resistir às tentações e seguir regras. Nessa interpretação do cristianismo, o pecado representa uma transgressão dos mandamentos divinos, e o desenvolvimento moral exige esforço, disciplina e submissão à autoridade de Deus. No modelo do pai cuidador , a ...

As pessoas aprendem votando?

Uma das justificativas para a participação política é que as pessoas podem aprender ao participar. Ao discutir propostas, tomar decisões e observar suas consequências, os cidadãos teriam a oportunidade de desenvolver progressivamente sua capacidade de julgamento. Essa ideia aparece entre os defensores da democracia participativa. Como observa Hélène Landemore, parte dessa tradição atribui à participação um efeito educativo: quanto mais os cidadãos participam de discussões sobre meios e fins, maior seria a possibilidade de desenvolverem as qualidades necessárias para uma participação política competente. A ideia é plausível. Muitas capacidades são desenvolvidas não apenas pelo estudo, mas pelo exercício. Aprendemos a tomar decisões também tomando decisões, observando seus resultados e corrigindo nossos erros. Não há razão para supor que o julgamento político seja completamente diferente. Mas participar não é o mesmo que aprender. Uma pessoa pode votar durante décadas e continuar cometen...

Duas cabeças pensam melhor do que uma?

Costuma-se dizer que duas cabeças pensam melhor do que uma. Mas acrescentar uma pessoa a uma decisão não garante que ela se torne melhor. Para que isso aconteça, a segunda pessoa precisa ser capaz de contribuir de alguma maneira para a solução do problema. Essa contribuição não precisa consistir em maior inteligência ou conhecimento especializado. Uma pessoa pode possuir uma informação que as outras desconhecem, identificar um erro, conhecer melhor uma parte do problema ou apresentar uma perspectiva que ainda não havia sido considerada. O ganho está naquilo que cada participante acrescenta ao processo de decisão. O antropólogo Edwin Hutchins encontrou um exemplo interessante desse fenômeno ao estudar a navegação de um navio militar. As manobras complexas do navio não eram resultado do raciocínio de um único indivíduo. A tarefa era realizada pela coordenação entre diferentes membros da tripulação, suas funções e instrumentos como mapas, pontos de referência e sistemas de comunicação. A ...

Uma boa teoria pode ter exceções?

Costuma-se dizer que toda regra tem exceção. Para regras práticas, isso pode fazer sentido. Para uma teoria, porém, uma exceção pode ser um problema. Se encontramos um caso que contradiz o que a teoria prevê, não basta classificá-lo como excepcional. É preciso explicar por que ele ocorre e verificar se a teoria precisa ser modificada. Uma das maneiras pelas quais a filosofia faz isso é por meio de experimentos mentais. Em vez de realizar um experimento no mundo, imaginamos uma situação e examinamos o que determinada teoria implicaria se ela ocorresse. Casos-limite são especialmente úteis porque levam os princípios da teoria a situações extremas, tornando mais visíveis problemas que podem passar despercebidos em situações comuns. Considere uma teoria segundo a qual mentir é sempre moralmente errado. Podemos testá-la imaginando uma situação em que uma mentira seja necessária para impedir um assassinato. Se a teoria ainda considera a mentira errada, precisamos perguntar se estamos dispost...

Por que saber o que acontece não significa saber por que acontece?

Imagine duas bolas sobre uma mesa. A primeira se move, atinge a segunda e, logo depois, a segunda começa a se mover. Depois de observar situações semelhantes várias vezes, podemos aprender que o choque de uma bola contra outra pode colocá-la em movimento. Para aprender essa relação, não precisamos compreender por que isso acontece. Uma criança pode antecipar o movimento da segunda bola sem conhecer qualquer teoria física. Outros animais também são capazes de identificar objetos, distinguir categorias e aprender relações simples entre acontecimentos. Existe, portanto, uma diferença entre identificar o que acontece e explicar por que acontece. Grande parte da nossa relação com o ambiente depende da primeira capacidade. Reconhecemos alimentos, animais, pessoas e objetos. Também aprendemos regularidades: determinados sons anunciam determinados acontecimentos, certas ações produzem certos resultados e algumas situações costumam ser seguidas por outras. Essas capacidades possuem uma longa hi...

Quanto mais coerente uma teoria, mais próxima da verdade?

Quando uma teoria consegue explicar muitos fatos sem entrar em contradição, nossa confiança nela tende a aumentar. Quanto mais elementos parecem se encaixar, mais difícil parece acreditar que tudo aquilo esteja errado. Mas uma teoria mais coerente não está necessariamente mais próxima da verdade. Imagine que dez pessoas afirmem ter visto uma árvore no mesmo lugar. Se cada uma chegou ali de maneira independente e observou a árvore, a concordância entre os relatos aumenta bastante nossa confiança de que ela existe. Agora imagine que apenas a primeira pessoa tenha visto a suposta árvore. As outras nove simplesmente repetiram o que ouviram dela. Continuamos tendo dez relatos perfeitamente coerentes entre si, mas não dez evidências da existência da árvore. Temos apenas uma evidência sendo reproduzida dez vezes. O mesmo problema pode ocorrer com sistemas de ideias. Podemos partir de uma premissa falsa e construir sobre ela uma enorme quantidade de crenças compatíveis entre si. Cada nova cren...

Por que “fazer o diabo para ganhar uma eleição” pode destruir uma nação?

Uma sociedade não se mantém unida apenas por leis, fronteiras ou instituições. Para que milhões de pessoas que não se conhecem aceitem viver sob as mesmas regras, é necessário algum grau de confiança. Essa confiança aparece de maneira particularmente clara nos contratos. Quando duas pessoas estabelecem um acordo, cada uma aceita assumir obrigações porque acredita que a outra também estará submetida ao que foi combinado. O contrato permite, assim, que pessoas que talvez nem confiem umas nas outras pessoalmente possam cooperar. O mesmo princípio vale para regras estabelecidas entre grupos. Se diferentes partes concordam previamente com determinadas condições, espera-se que elas continuem válidas mesmo quando, posteriormente, uma delas se torna inconveniente. Afinal, uma regra que só vale enquanto produz o resultado desejado por quem tem poder deixa de cumprir justamente a função para a qual foi criada. Uma disputa eleitoral torna esse problema especialmente evidente. Existe uma tentação ...

Como elaborar uma rotina racional?

Ter um propósito de vida não é suficiente para realizá-lo. É necessário organizar nossas ações cotidianas de modo que elas contribuam para aquilo que consideramos importante. Uma rotina pode cumprir essa função ao estabelecer prioridades e distribuir nossos esforços ao longo do tempo. O primeiro passo para elaborar uma rotina racional é identificar os objetivos que consideramos prioritários. Nem tudo o que desejamos possui a mesma importância, e nossos recursos são limitados. Tempo, energia e atenção que dedicamos a uma atividade deixam de estar disponíveis para outras. Por isso, organizar uma rotina envolve decidir quais objetivos merecem receber a maior parte desses recursos. Em seguida, precisamos identificar quais atividades podem contribuir para esses objetivos. Não basta saber o que queremos alcançar. Precisamos perguntar quais ações aumentam as chances de alcançar cada objetivo e quanto tempo e esforço elas exigem. A partir dessas informações, podemos distribuir as atividades ao...

Como descobrir seu propósito de vida?

Perguntar qual é o propósito de nossa vida é uma consequência natural de nossa capacidade de refletir sobre a própria existência. Não nos limitamos a agir. Também podemos perguntar por que fazemos o que fazemos e que tipo de vida queremos construir. Uma maneira de investigar essa questão é observar a relação entre nossos interesses, nossas capacidades e as necessidades do mundo ao nosso redor. Em primeiro lugar, podemos perguntar: o que eu estaria disposto a fazer mesmo sem receber por isso? A pergunta não pretende sugerir que devamos trabalhar gratuitamente, mas identificar atividades que possuem valor para nós independentemente de sua recompensa externa. Em seguida, podemos perguntar: em quais dessas atividades consigo utilizar minhas melhores qualidades? Uma atividade pode despertar nosso interesse sem necessariamente corresponder àquilo que fazemos melhor. O propósito tende a adquirir maior consistência quando nossos interesses encontram capacidades que podemos desenvolver e coloca...

O propósito de vida pode tornar a felicidade mais intensa?

Se a felicidade é um tipo de alegria que surge quando sentimos orgulho do resultado de uma decisão consciente, ela não precisa ter sempre a mesma intensidade. Podemos nos orgulhar de uma decisão simples e, em outras ocasiões, experimentar um orgulho muito mais profundo diante de algo que consideramos especialmente importante. Uma possível explicação está na relação entre o resultado de nossas decisões e aquilo que consideramos o propósito de nossa vida. Aristóteles compreendia a vida humana a partir de uma função própria: desenvolver e exercer racionalmente as capacidades que nos caracterizam, o que se realiza por meio da prática das virtudes. Essa ideia oferece uma referência geral para pensar o que significa viver bem. Mas ela não determina, por si só, aquilo que cada pessoa considera sua contribuição específica no mundo. Cada indivíduo possui interesses, capacidades, relações e circunstâncias particulares. A partir deles, podemos identificar atividades e responsabilidades que assume...

O trabalho enobrece o homem?

Costumamos dizer que o trabalho enobrece o homem. Mas em que sentido o trabalho pode nos tornar melhores? Certamente não é o simples fato de trabalhar que possui esse efeito. Algumas formas de trabalho podem ser repetitivas, pouco desafiadoras ou até prejudiciais ao desenvolvimento de nossas capacidades. Se o trabalho pode nos enobrecer, isso parece depender daquilo que fazemos enquanto trabalhamos. Como vimos no ensaio sobre as virtudes, o agir racional envolve o exercício das virtudes morais e intelectuais. O trabalho pode contribuir para esse desenvolvimento quando oferece oportunidades para que essas capacidades sejam exercitadas e aprimoradas. Isso não significa que os chamados trabalhos intelectuais sejam necessariamente superiores aos trabalhos manuais ou operacionais. A natureza da profissão, por si só, diz pouco sobre as capacidades que ela exige. Um trabalho aparentemente simples pode exigir grande domínio técnico, discernimento e capacidade de tomar decisões, enquanto uma at...

O que são os vícios?

Se as virtudes tornam possível o agir racional, os vícios dificultam esse processo. Assim como as virtudes, eles podem ser compreendidos a partir da relação entre nossas emoções e nossa capacidade de raciocinar sobre elas. Como vimos no ensaio "O que são as virtudes?", uma virtude moral pode ser entendida como uma habilidade bem desenvolvida de seguir uma autorregra que nos leva a colocar em prática nossas virtudes intelectuais. Quando sentimos uma emoção, essa autorregra nos ajuda a não simplesmente seguir o impulso inicial, mas a avaliar se a orientação oferecida por ele é realmente adequada à situação. O vício ocorre quando essa capacidade não está suficientemente desenvolvida. Imagine, por exemplo, alguém que sente medo diante de uma ameaça. Essa pessoa pode simplesmente fugir, sem avaliar se escapar é realmente a melhor opção. Nesse caso, ela está seguindo cegamente a orientação inicial oferecida pelo medo. Outra pessoa pode, ao contrário, não reconhecer uma ameaça que d...

É preciso tempo para saber se uma decisão foi boa?

Uma decisão pode parecer errada e, ainda assim, produzir bons resultados. Também pode parecer acertada e produzir consequências ruins. Em muitos casos, portanto, é preciso considerar a variável tempo para avaliar uma decisão. Isso acontece porque nem todas as consequências de uma ação aparecem imediatamente. Podemos fazer o nosso melhor, observar que aparentemente nada aconteceu e concluir que nossa decisão não produziu resultado algum. Mas uma ação pode ter iniciado um processo cujo resultado só aparecerá muito mais tarde. É como plantar uma semente. Depois de colocá-la na terra, durante algum tempo nada parece acontecer. Isso não significa que nada esteja acontecendo. O crescimento ocorre antes de poder ser percebido na superfície. O mesmo pode ocorrer com nossas decisões. Uma conversa pode não produzir nenhuma mudança perceptível naquele momento, mas alterar uma relação ao longo dos anos. Um estudo pode não gerar resultados imediatos, mas preparar o conhecimento que permitirá uma de...

Como lidar com o fracasso?

Quando aquilo que desejamos não acontece, nossa primeira reação costuma ser insistir naquilo que estamos fazendo . Mas nem todo resultado depende de continuar tentando. Às vezes, já fizemos o suficiente e precisamos esperar. Em outras, precisamos encontrar meios melhores. E há situações em que o problema está no próprio objetivo que escolhemos. Essas três possibilidades formam o que podemos chamar de tríade reflexiva. A primeira é: já dei o meu melhor; agora preciso esperar as coisas acontecerem. Nem tudo está sob nosso controle. Podemos tomar as melhores decisões disponíveis, realizar os esforços necessários e ainda depender do tempo, das circunstâncias ou das ações de outras pessoas. Quando já fizemos aquilo que razoavelmente estava ao nosso alcance, insistir em novas ações pode significar apenas uma dificuldade em aceitar a espera. Nesse caso, a reflexão adequada é exercitar a paciência. A segunda é: ainda não fiz o suficiente; preciso pensar em melhores meios. Um resultado insatisf...

E se a nossa realidade for um experimento?

A hipótese da simulação costuma ser apresentada como a possibilidade de que o mundo em que vivemos tenha sido criado por uma civilização mais avançada. Mas, se essa hipótese for levada a sério, surge uma questão mais interessante: por que criar uma realidade como a nossa? Uma possibilidade é que ela seja um experimento. Um experimento existe para produzir conhecimento. Seus participantes são colocados em determinadas condições para que os pesquisadores possam observar o que acontece e descobrir algo que ainda não sabem. Se a nossa realidade for um experimento desse tipo, nossa existência poderia ter uma finalidade que desconhecemos. Isso mudaria a maneira como interpretamos o mundo em que vivemos. As condições da nossa existência (nossa inteligência limitada, nossa vulnerabilidade, a necessidade de tomar decisões sem conhecer todas as consequências e a exposição a situações imprevisíveis) poderiam não ser características acidentais da realidade. Poderiam ser precisamente algumas das co...

Escola sem Partido ou doutrinação?

O debate sobre educação costuma partir de uma preocupação legítima: como impedir que a escola seja utilizada para transmitir aos alunos as convicções pessoais de seus professores? Uma resposta possível é exigir que a escola seja neutra e impeça a defesa de determinadas posições em sala de aula. Outra é sustentar que os estudantes precisam conhecer diferentes perspectivas e que restringir a manifestação dessas posições também prejudica sua formação. O problema é que nenhuma dessas respostas, isoladamente, resolve a questão. Algumas aulas realmente podem transmitir convicções sem explicitar as razões que as sustentam. Quando uma posição é apresentada como algo que deve ser aceito, sem que seus fundamentos, evidências e limitações sejam examinados, a autoridade do professor pode substituir o julgamento do aluno. O estudante aprende o que pensar sem aprender a avaliar por que deveria pensar daquela maneira. A solução, porém, não consiste em proibir determinadas ideias ou exigir uma neutral...

Você está acumulando “ego coins”?

As redes sociais oferecem recompensas reais. Visualizações, curtidas, comentários e seguidores produzem reconhecimento, e o reconhecimento possui valor psicológico. O problema é que uma recompensa real não é necessariamente uma recompensa significativa. O reconhecimento social, porém, pode assumir formas diferentes. Uma coisa é ser aceito pelo grupo; outra é ocupar uma posição de maior status dentro dele. Embora nem todos busquem ascender socialmente, aqueles que buscam uma posição mais elevada tendem a investir mais recursos para conquistá-la.  Somos seres sociais em um mundo competitivo, no qual recursos e oportunidades são limitados. Por isso, o status importa. Uma posição social mais elevada pode proporcionar maior influência, acesso a recursos, oportunidades de relacionamento e outras vantagens concretas. Não é estranho, portanto, que as pessoas invistam esforço para obtê-lo. Nas redes sociais, essa dinâmica assume uma forma peculiar. Visualizações, curtidas e seguidores funci...

O que é ser de extrema esquerda ou extrema direita?

Esquerda e direita são geralmente distinguidas pelas posições que defendem sobre economia, Estado, costumes e organização social. Mas talvez seja possível compreendê-las de maneira mais profunda a partir dos valores que conferem unidade a essas posições. Jonathan Haidt nos oferece uma pista importante. Sua teoria dos fundamentos morais mostra que a esquerda tende a atribuir um peso particularmente elevado ao cuidado. Embora sua classificação não esgote os valores envolvidos nas diferentes orientações políticas, ela sugere que o cuidado ocupa uma posição especialmente importante na moralidade da esquerda. Se aceitarmos essa pista e partirmos da oposição entre esquerda e direita, podemos procurar o valor que ocupa uma posição correspondente no polo oposto. Na minha interpretação, esse valor é a responsabilidade. O cuidado estabelece que o sofrimento e a vulnerabilidade de uma pessoa constituem razões para que outras pessoas intervenham em seu benefício. A responsabilidade, por outro lado...

Redes sociais não são o problema

O problema das redes sociais não está necessariamente naquilo que elas permitem, mas naquilo que esperamos que elas sejam. À medida que passaram a ocupar um lugar central na circulação de informações e na formação de crenças, começamos a exigir delas funções que pertencem a outras instituições. Queremos que eduquem, filtrem ideias ruins e favoreçam o conhecimento de qualidade. Mas circulação de ideias e formação do julgamento são atividades diferentes. Redes sociais são espaços abertos de expressão, interação e confronto de ideias. Nelas, diferentes pessoas podem apresentar suas opiniões, contestar as opiniões de outras e entrar em contato com perspectivas que não encontrariam em seu círculo imediato. Por isso, ideias boas e ruins, informações verdadeiras e falsas, argumentos sofisticados e opiniões superficiais circulam lado a lado. Essa heterogeneidade não é uma anomalia que precisa ser eliminada. É uma consequência da abertura desses espaços. A educação possui outra função. Educar n...

Por que não é bom comer carboidrato e gordura ao mesmo tempo?

Nosso organismo é capaz de utilizar tanto carboidratos quanto gorduras como fontes de energia. O problema não está em consumir um ou outro, mas em combiná-los constantemente na mesma refeição. Isso porque, quando uma fonte de energia se torna mais disponível, o organismo ajusta o metabolismo para favorecer sua utilização. Ele é capaz de utilizar diferentes combustíveis, mas não os utiliza necessariamente com a mesma prioridade ao mesmo tempo. Quando consumimos carboidratos e gordura em uma refeição, oferecemos ao organismo duas fontes energéticas importantes simultaneamente. Como o corpo tende a priorizar os carboidratos quando há bastante glicose disponível, a oxidação de carboidratos aumenta, enquanto a oxidação de gordura é reduzida. A gordura consumida na mesma refeição não deixa de existir por causa disso. Ela continua disponível e, quando a demanda energética não é suficiente para utilizá-la, pode ser direcionada para armazenamento. A questão, portanto, não é que carboidratos ou ...

Humanos envelhecem de um jeito estranho

Há algo estranho no envelhecimento humano: podemos conservar um corpo fisicamente ativo e relativamente jovem por muitos anos, mas o rosto frequentemente revela nossa idade de maneira muito mais evidente. Rugas, perda de elasticidade, flacidez e alterações na estrutura da pele podem transformar profundamente a aparência do rosto de uma pessoa mesmo quando ela mantém boa condição física. A comparação com outras espécies torna essa conclusão menos óbvia. Um tubarão de 20 anos não necessariamente parece um animal velho. Muitas tartarugas que vivem por décadas também conservam uma aparência que reconhecemos simplesmente como adulta. Elas envelhecem, mas o envelhecimento não se manifesta visualmente da mesma maneira que em nós. O envelhecimento, portanto, não possui uma única forma determinada pela passagem do tempo. Isso deveria nos tornar mais cuidadosos ao falar sobre aquilo que é “natural”. O fato de uma característica ser comum entre os seres humanos não demonstra que todas as suas man...

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