É preciso tempo para saber se uma decisão foi boa?
Uma decisão pode parecer errada e, ainda assim, produzir bons resultados. Também pode parecer acertada e produzir consequências ruins. Em muitos casos, portanto, é preciso considerar a variável tempo para avaliar uma decisão.
Isso acontece porque nem todas as consequências de uma ação aparecem imediatamente. Podemos fazer o nosso melhor, observar que aparentemente nada aconteceu e concluir que nossa decisão não produziu resultado algum. Mas uma ação pode ter iniciado um processo cujo resultado só aparecerá muito mais tarde.
É como plantar uma semente. Depois de colocá-la na terra, durante algum tempo nada parece acontecer. Isso não significa que nada esteja acontecendo. O crescimento ocorre antes de poder ser percebido na superfície.
O mesmo pode ocorrer com nossas decisões. Uma conversa pode não produzir nenhuma mudança perceptível naquele momento, mas alterar uma relação ao longo dos anos. Um estudo pode não gerar resultados imediatos, mas preparar o conhecimento que permitirá uma descoberta futura. Uma escolha profissional pode parecer improdutiva durante anos antes de começar a produzir seus efeitos.
Por isso, a ausência de resultados imediatos não é suficiente para concluir que uma decisão foi errada.
Isso não significa, porém, que devemos transformar o tempo em uma desculpa para qualquer fracasso. Dizer que “os resultados aparecerão no futuro” pode ser apenas uma maneira de proteger uma decisão ruim contra qualquer evidência contrária. O tempo precisa ser considerado, mas também precisamos estabelecer expectativas razoáveis sobre quando e como uma consequência deveria aparecer.
Essa distinção é especialmente importante quando avaliamos decisões que envolvem processos longos. Um investidor pode passar anos esperando que uma escolha produza o resultado esperado. Há investidores que descrevem determinadas decisões como tendo levado décadas para se mostrarem acertadas. O fato de uma decisão ter parecido ruim durante parte desse período não determina, sozinho, seu resultado final.
Nesse sentido, o guerreiro pode aprender algo com o agricultor. Na guerra, estamos acostumados a pensar que agir rapidamente é uma vantagem. Mas o agricultor sabe que existem processos que não podem ser acelerados pela vontade. Depois de plantar, resta cuidar do que foi plantado e esperar o momento da colheita. Há momentos em que a ação correta é agir; há outros em que a ação correta é esperar.
Essa perspectiva também ajuda a compreender uma diferença entre dois tipos de avaliação.
Quando tomamos uma decisão, podemos avaliar a trajetória: se identificamos corretamente o objetivo, se consideramos as informações disponíveis, se escolhemos meios adequados e se agimos de acordo com aquilo que, naquele momento, tínhamos boas razões para considerar correto.
Depois, podemos avaliar o resultado: aquilo que efetivamente aconteceu e as consequências que nossa decisão produziu.
A variável tempo participa das duas avaliações, mas de maneiras diferentes. Antes de agir, precisamos considerar quanto tempo nossas escolhas levarão para produzir suas consequências. Depois de agir, precisamos considerar quanto tempo é necessário para que essas consequências possam ser adequadamente avaliadas.
É por isso que uma decisão não deve ser julgada apenas pelo que aconteceu logo depois dela. Algumas ações são como frutos que amadurecem rapidamente. Outras são como árvores que precisam de anos antes de oferecer sua primeira colheita.
Pensata:
"As coisas poderiam ter dado certo, mas infelizmente existe o futuro do pretérito."
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