Por que o Estado deveria promover as virtudes?
Se não temos certeza de que a vida continua depois da morte, existe um limite para aquilo que uma ética pode justificar. Mesmo que a vida virtuosa produza benefícios enquanto estamos vivos, alguém pode reconhecer todos esses benefícios e ainda preferir uma vida dedicada a outros prazeres. Se rejeitar a ideia de que existe um modo objetivamente superior de realizar a natureza humana, a ética aristotélica perde parte de sua força normativa. Mas esse problema não precisa ser transferido integralmente para a política. A política não precisa responder à pergunta sobre qual é a melhor vida para cada indivíduo para reconhecer que determinadas virtudes produzem benefícios para a vida em sociedade. Uma população formada por pessoas mais prudentes, temperantes, justas e brandas tende a produzir menos conflitos, violência e comportamentos autodestrutivos. Isso significa menos demandas sobre instituições como o sistema de justiça e o sistema de saúde, além de relações sociais mais estáveis e coope...