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Redes sociais não são o problema

O problema das redes sociais não está necessariamente naquilo que elas permitem, mas naquilo que esperamos que elas sejam. À medida que passaram a ocupar um lugar central na circulação de informações e na formação de crenças, começamos a exigir delas funções que pertencem a outras instituições. Queremos que eduquem, filtrem ideias ruins e favoreçam o conhecimento de qualidade. Mas circulação de ideias e formação do julgamento são atividades diferentes. Redes sociais são espaços abertos de expressão, interação e confronto de ideias. Nelas, diferentes pessoas podem apresentar suas opiniões, contestar as opiniões de outras e entrar em contato com perspectivas que não encontrariam em seu círculo imediato. Por isso, ideias boas e ruins, informações verdadeiras e falsas, argumentos sofisticados e opiniões superficiais circulam lado a lado. Essa heterogeneidade não é uma anomalia que precisa ser eliminada. É uma consequência da abertura desses espaços. A educação possui outra função. Educar n...

Por que não é bom comer carboidrato e gordura ao mesmo tempo?

Nosso organismo é capaz de utilizar tanto carboidratos quanto gorduras como fontes de energia. O problema não está em consumir um ou outro, mas em combiná-los constantemente na mesma refeição. Isso porque, quando uma fonte de energia se torna mais disponível, o organismo ajusta o metabolismo para favorecer sua utilização. Ele é capaz de utilizar diferentes combustíveis, mas não os utiliza necessariamente com a mesma prioridade ao mesmo tempo. Quando consumimos carboidratos e gordura em uma refeição, oferecemos ao organismo duas fontes energéticas importantes simultaneamente. Como o corpo tende a priorizar os carboidratos quando há bastante glicose disponível, a oxidação de carboidratos aumenta, enquanto a oxidação de gordura é reduzida. A gordura consumida na mesma refeição não deixa de existir por causa disso. Ela continua disponível e, quando a demanda energética não é suficiente para utilizá-la, pode ser direcionada para armazenamento. A questão, portanto, não é que carboidratos ou ...

Humanos envelhecem de um jeito estranho

Há algo estranho no envelhecimento humano: podemos conservar um corpo fisicamente ativo e relativamente jovem por muitos anos, mas o rosto frequentemente revela nossa idade de maneira muito mais evidente. Rugas, perda de elasticidade, flacidez e alterações na estrutura da pele podem transformar profundamente a aparência do rosto de uma pessoa mesmo quando ela mantém boa condição física. A comparação com outras espécies torna essa conclusão menos óbvia. Um tubarão de 20 anos não necessariamente parece um animal velho. Muitas tartarugas que vivem por décadas também conservam uma aparência que reconhecemos simplesmente como adulta. Elas envelhecem, mas o envelhecimento não se manifesta visualmente da mesma maneira que em nós. O envelhecimento, portanto, não possui uma única forma determinada pela passagem do tempo. Isso deveria nos tornar mais cuidadosos ao falar sobre aquilo que é “natural”. O fato de uma característica ser comum entre os seres humanos não demonstra que todas as suas man...

O que significa amar alguém?

Dizer “eu te amo” não significa necessariamente amar alguém. A mesma expressão pode descrever paixão, apego, desejo, gratidão, dependência ou um vínculo que se tornou habitual. Por isso, a intensidade do sentimento não é suficiente para determinar se existe amor. Uma diferença importante está naquilo que desejamos para a pessoa que amamos. Amar alguém significa desejar genuinamente o seu bem por ela mesma, e não apenas aquilo que recebemos da relação. Esse desejo também precisa possuir alguma estabilidade. Sentir vontade de cuidar de alguém em determinados momentos não é o mesmo que estar orientado de maneira consistente para o seu bem. Isso não significa que o amor seja um sentimento permanentemente intenso. A intensidade pode variar sem que o amor desapareça. O que importa é a estabilidade da disposição fundamental de querer o bem daquela pessoa. Podemos estar cansados, frustrados ou temporariamente distantes e, ainda assim, continuar desejando que ela esteja bem e reconhecendo sua i...

Quando a persistência se torna teimosia

Resiliência, persistência e teimosia são frequentemente confundidas porque aparecem juntas diante das dificuldades. Mas elas dizem respeito a coisas diferentes. A resiliência é a capacidade de suportar as dificuldades; a persistência é a decisão de continuar agindo apesar delas; a teimosia surge quando continuamos agindo depois que deixamos de ter boas razões para fazê-lo. A resiliência, portanto, não exige que continuemos em um determinado caminho. Podemos suportar uma situação difícil e, ao mesmo tempo, concluir que não vale a pena permanecer nela. Nesse caso, desistir não é falta de resiliência, mas reconhecer que o objetivo que estamos buscando não vale mais a pena a ponto de justificar a condição de dificuldade que precisamos suportar. A persistência acrescenta uma decisão à capacidade de suportar. Quando consideramos que determinado objetivo continua sendo valioso, as dificuldades não são suficientes para nos fazer abandoná-lo. Persistir significa reconhecer os custos do caminho ...

O que é o conhecimento?

Podemos pensar na realidade como constituída por elementos que não são criados pela nossa percepção. Esses elementos participam de relações e processos que produzem os acontecimentos que observamos. Compreender alguma coisa significa, em grande medida, descobrir quais são esses elementos e como eles se relacionam. Nossa percepção, porém, não nos apresenta simplesmente esses elementos de maneira neutra. A Gestalt mostra isso de forma elementar: em uma mesma figura, podemos ver um pato ou um coelho. O desenho não se altera quando mudamos aquilo que reconhecemos nele. O que muda é a organização da nossa percepção. Algo semelhante ocorre no conhecimento científico. Um estudante pode olhar para uma fotografia da câmara de Wilson e enxergar apenas linhas confusas, enquanto um físico reconhece nela o registro de determinados eventos subnucleares. O físico não está diante de uma realidade diferente. Ele aprendeu a perceber relações que o estudante ainda não consegue identificar. Isso significa...

Será que vale a pena se iludir?

Nem toda ilusão é imediatamente prejudicial. Uma crença pode ser falsa e, ainda assim, produzir efeitos que consideramos bons. Alguém que acredita que conseguirá superar uma dificuldade pode encontrar nessa expectativa a força necessária para continuar tentando. Nesse sentido, uma ilusão pode funcionar como combustível para a ação. Mas imagine uma pessoa perdida no deserto que avista uma miragem. A visão de água pode lhe dar forças para continuar caminhando. O problema aparece quando ela passa a orientar seus passos pela crença de que a água realmente está ali. A mesma ilusão que inicialmente lhe deu energia pode fazê-la desperdiçar suas últimas forças perseguindo algo que não existe. Isso revela uma diferença importante entre uma crença que nos motiva e uma crença que nos orienta. Para agir, precisamos de razões que nos levem a continuar. Mas, para escolher a direção correta, precisamos de uma representação suficientemente fiel da realidade. Uma crença falsa pode cumprir a primeira fu...

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