O limite da ética aristotélica
Se não existe vida após a morte, por que alguém deveria se dedicar ao aperfeiçoamento da alma? Se a existência termina definitivamente com a morte, por que não aproveitar a vida intensamente enquanto ela durar, mesmo que isso signifique abandonar a virtude em favor de outros prazeres? A pergunta parece colocar a ética diante de um problema difícil. Se depois da morte não existe nada, talvez não haja qualquer recompensa futura para quem passou a vida se esforçando para se tornar uma pessoa melhor. Por que, então, não escolher simplesmente aquilo que proporciona maior prazer enquanto estamos vivos? Sêneca oferece uma resposta interessante. Ao discutir a utilidade da virtude, afirma que, vivo ou morto, o ser humano se beneficia dela. Podemos interpretar essa ideia de maneira bastante concreta: quanto mais desenvolvemos nossa capacidade de agir racionalmente, maior tende a ser nossa capacidade de tomar boas decisões e produzir resultados positivos durante a vida. Aperfeiçoar a alma, nesse ...