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Por que sentimos raiva quando algumas pessoas se vangloriam?

Não somos necessariamente avessos à hierarquia. Em particular, tendemos a aceitar de bom grado uma hierarquia de prestígio, na qual algumas pessoas ocupam posições superiores porque reconhecemos nelas conhecimentos ou habilidades que consideramos valiosos. Isso acontece, por exemplo, quando admiramos um atleta por seu desempenho, um cientista por seu conhecimento ou um músico por sua habilidade. Uma pessoa pode adquirir prestígio ao demonstrar aquilo que é capaz de fazer e, inclusive, ao contar aos outros sobre seus próprios feitos. Esse tipo de hierarquia não beneficia apenas quem ocupa uma posição elevada. Também beneficia o grupo. Ao reconhecer que determinada pessoa possui conhecimentos ou habilidades superiores em uma área, os demais passam a ter uma indicação de quem vale a pena observar, ouvir ou procurar quando precisam adquirir determinado conhecimento ou habilidade. Por isso, não apenas toleramos o prestígio como frequentemente o estimulamos. Elogiamos pessoas que se destacam...

O que é arrogância?

Existem pessoas melhores do que outras em diferentes dimensões da vida. Algumas são mais inteligentes, outras mais corajosas, mais disciplinadas ou mais generosas. Se considerarmos a média de determinadas qualidades, também é possível que uma pessoa seja, de maneira geral, superior a outra. Isso é semelhante ao que ocorre em alguns jogos de videogame, nos quais um personagem recebe uma classificação geral com base na combinação de diferentes atributos. Um jogador pode ter uma classificação geral superior à de outro e, ainda assim, ser inferior a ele em uma característica específica. Reconhecer isso não é necessariamente arrogância. Uma pessoa pode perceber honestamente que possui determinadas capacidades desenvolvidas em um grau maior do que a maioria das pessoas sem, por isso, acreditar que vale mais como ser humano ou que é superior em todos os aspectos. A arrogância começa quando essa percepção deixa de ser limitada. O arrogante não apenas acredita ser melhor do que algumas pessoas ...

Por que muitas pessoas acham a filosofia inútil?

No senso comum, filosofar costuma ser associado a devaneios, abstrações distantes da realidade ou discussões que não produzem resultados concretos. Essa percepção se estabeleceu, em parte, porque muitas pessoas não entendem bem o que a filosofia é e, sobretudo, o que ela pode produzir (algo que constitui justamente um dos principais critérios pelos quais julgamos algo útil ou inútil). A filosofia não precisa produzir diretamente um medicamento, um aplicativo ou uma máquina para produzir efeitos importantes. Uma de suas funções é antecipar possibilidades teóricas. O filósofo pode formular hipóteses e construir sistemas explicativos sobre questões que a ciência ainda não consegue investigar empiricamente. Quando essas hipóteses podem ser testadas, elas entram no domínio da investigação científica e podem ser confirmadas, modificadas ou abandonadas. Ainda no domínio do avanço do conhecimento científico, outra função da filosofia é sistematizar conhecimentos que já possuímos. Os dados empí...

O que fazer para sermos menos preconceituosos?

Minha sugestão é que, para nos tornarmos menos preconceituosos, precisamos deixar de nos apegar imediatamente às nossas opiniões prévias e desenvolver o hábito de refletir com maior profundidade sobre elas. Esse processo pode ser compreendido em três etapas. A primeira é reconhecer a existência do preconceito e compreender sua função. Nossos mecanismos de categorização e avaliação rápida não surgiram por acaso. Em condições ancestrais, identificar rapidamente aquilo que poderia representar uma ameaça ou uma oportunidade tinha valor adaptativo. O problema é que esses mecanismos continuam operando em ambientes muito diferentes daqueles em que foram selecionados. Eles podem nos levar a categorizar pessoas e situações de maneira precipitada, utilizando poucas informações e produzindo avaliações que não correspondem adequadamente à realidade. Por isso, o primeiro passo para sermos menos preconceituosos é perceber que nossas primeiras avaliações não são necessariamente confiáveis. Não precis...

O que fazer quando o desejo sexual desaparece?

A diminuição ou o desaparecimento do desejo sexual costuma ser interpretado como um dos sinais mais claros de que uma relação amorosa chegou ao fim. Se duas pessoas deixaram de desejar uma à outra, parece natural concluir que aquilo que as unia desapareceu e que a continuidade da relação representa apenas uma recusa em aceitar essa realidade. Mas essa conclusão pressupõe que o desejo sexual deve permanecer como o principal fundamento de uma relação durante toda a sua existência. Não há razão para que isso seja necessariamente verdade. O desejo pode ter sido uma das forças responsáveis pela formação da relação sem precisar continuar ocupando o mesmo lugar décadas depois. Uma parceria amorosa pode acumular, ao longo do tempo, amizade, confiança, lealdade, cuidado, cooperação e uma história compartilhada. A diminuição da atração sexual não elimina automaticamente essas coisas. Isso não significa que a perda do desejo seja irrelevante. Para algumas pessoas, a sexualidade ocupa um lugar tão...

Nossa biologia contra nossos relacionamentos amorosos

Construir e manter uma parceria amorosa duradoura é uma tarefa particularmente difícil para os seres humanos. Parte dessa dificuldade decorre do fato de que nossa biologia não foi moldada para produzir aquilo que hoje esperamos de um relacionamento: uma parceria estável, exclusiva e sexualmente satisfatória durante décadas. Os mecanismos que favoreceram a formação de vínculos entre homens e mulheres foram selecionados em um contexto em que os problemas reprodutivos eram diferentes dos que enfrentamos atualmente. As diferenças entre homens e mulheres começam na própria escolha do parceiro. Para uma mulher, a gestação e os anos iniciais de cuidado de sua prole representam um investimento reprodutivo elevado. Durante a gestação, ela se encontra fisicamente mais vulnerável e, depois do nascimento, precisa cuidar da prole , que permanecerá dependente dela durante muitos anos. Em condições ancestrais, isso tornava relevante a escolha de um parceiro capaz de contribuir para a sobrevivência da...

O caçador de medos

Eu costumo dar meia-volta e encarar meus medos. E, quando faço isso, muitas vezes são eles que parecem fugir de mim. Foi assim que me tornei um caçador de medos. Não quero dizer que devemos enfrentar qualquer medo de qualquer maneira. Isso seria apenas imprudência. Um leão continua sendo um leão, e entrar em uma situação realmente perigosa para provar coragem não é coragem. É falta de juízo. Estou falando daqueles medos que percebemos, racionalmente, serem maiores na nossa cabeça do que na realidade. Quando percebo um desses, gosto de “pagar para ver”. Se alguém tem medo de elevador, por exemplo, pode começar entrando nele sem apertar o botão. Depois, apertar o botão e subir apenas um andar. Em seguida, dois. E assim por diante. O importante é avançar gradualmente, sem se obrigar a saltos para os quais ainda não está preparado. A Psicologia conhece esse princípio há bastante tempo. A dessensibilização sistemática, desenvolvida por Joseph Wolpe, utiliza justamente a exposição gradual a ...

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