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Por que as pessoas mentem?

As pessoas mentem porque a mentira pode proporcionar vantagens, especialmente no curto prazo. Ela funciona, porém, por uma razão mais fundamental: somos seres sociais e, para cooperar, precisamos confiar uns nos outros. Grande parte da nossa vida depende da cooperação: fazemos acordos, estabelecemos amizades, trabalhamos juntos e formamos alianças. Para que isso seja possível, precisamos partir de uma disposição básica de confiança. Se exigíssemos provas de tudo o que ouvimos, a comunicação cotidiana e a própria cooperação se tornariam inviáveis. É justamente essa disposição à confiança que torna a mentira eficaz. Por agirmos com base em informações incompletas, na maior parte do tempo presumimos que os outros estão dizendo a verdade. Quem mente explora essa expectativa: fornece uma informação falsa esperando que o outro acredite nela e aja de acordo com ela. A mentira pode, então, permitir que alguém evite uma punição, obtenha uma vantagem, esconda um erro ou influencie o comportament...

O que esperamos de um líder?

Os seres humanos não rejeitam necessariamente diferenças de autoridade, reconhecimento ou privilégio; aceitam-nas quando parecem corresponder a diferenças relevantes de competência. O problema não é simplesmente alguém ocupar uma posição superior, mas se há razões para que a ocupe e se sua atuação corresponde às expectativas associadas à posição. Uma distinção útil para compreender esse fenômeno é aquela entre status de dominação e status de prestígio. A dominação baseia-se na capacidade de impor custos aos demais; o prestígio, no reconhecimento de habilidades ou conhecimentos que os outros consideram valiosos. No primeiro caso, segue-se alguém porque ele pode obrigar. No segundo, porque parece vantajoso ouvi-lo, imitá-lo ou recorrer à sua orientação. A liderança baseada em prestígio, portanto, não elimina a hierarquia, mas oferece uma razão para aceitá-la. Essa razão, contudo, cria expectativas. Quem recebe autoridade em virtude de sua competência deve utilizá-la em benefício daqueles...

Por que as pessoas sentem vergonha?

A vergonha surge quando percebemos que nosso comportamento pode levar outras pessoas a nos avaliar negativamente. Não basta termos feito algo que consideramos inadequado. Precisamos perceber que aquilo pode afetar a maneira como somos vistos pelos outros. Isso faz sentido porque nossa vida depende profundamente das relações sociais. Reputação, confiança, reciprocidade e pertencimento ao grupo afetam nossa capacidade de cooperar e alcançar nossos objetivos. Uma avaliação negativa pode, portanto, representar uma ameaça aos nossos interesses. Em sociedades ancestrais, a rejeição pelo grupo podia ter consequências ainda mais graves. A natureza dessa ameaça ajuda a explicar por que a vergonha deriva do medo. Quando alguém nos ameaça diretamente, podemos reagir tentando eliminar ou afastar a ameaça. Mas não podemos simplesmente obrigar outra pessoa a deixar de nos considerar incompetentes, ridículos ou indignos de confiança. Diante dessa ameaça, uma resposta possível é reduzir nossa exposiçã...

O poder corrompe?

“Conhecimento é poder.” A frase é frequentemente atribuída a Francis Bacon e expressa uma ideia bastante plausível: conhecer alguma coisa aumenta nossa capacidade de prever o que acontecerá e, em alguma medida, de produzir os acontecimentos que desejamos. Quem conhece as propriedades de determinados materiais pode construir; quem conhece uma doença pode tratá-la; quem compreende o comportamento de outras pessoas pode influenciá-las. O conhecimento, portanto, amplia nossa capacidade de agir sobre a realidade. Mas há uma consequência curiosa se combinarmos essa ideia com outra máxima bastante conhecida: “o poder corrompe.” Se conhecimento é poder e o poder corrompe, deveríamos esperar que pessoas que adquirem muito conhecimento se tornassem moralmente piores. No entanto, não é isso que observamos. Muitos filósofos, cientistas e outros intelectuais possuem enorme poder epistêmico sem que isso os torne, por essa razão, pessoas moralmente corrompidas. Isso sugere que há algo errado com a id...

Por que as pessoas riem?

Uma característica recorrente das situações engraçadas é a incongruência. Algo acontece de uma maneira diferente daquela que esperávamos: alguém tropeça, uma frase assume um significado inesperado ou duas ideias que normalmente não relacionamos são colocadas juntas. Percebemos que há algo estranho e tentamos compreender o que está acontecendo. A incongruência, porém, não basta para produzir riso. Algo pode ser inesperado e simplesmente permanecer incompreensível. O humor parece exigir que consigamos encontrar uma interpretação que resolva a estranheza. Mas isso ainda não explica por que rimos. A solução de um problema, por exemplo, também pode produzir prazer sem ser engraçada. A diferença parece estar na natureza da solução. No humor, compreendemos a incongruência de uma maneira esdrúxula: descobrimos uma relação inesperada entre elementos que, depois de conectados, passam a fazer sentido, mas de uma maneira absurda ou inusitada. É o que acontece em uma piada. Sua construção nos condu...

Por que nem todo povo tem o governo que merece?

É comum ouvirmos que cada povo tem o governo que merece. A ideia parece razoável: se um governo é escolhido pelo povo, seus cidadãos seriam responsáveis pelo governo que possuem. Mas essa conclusão depende de uma condição que nem sempre existe: o poder efetivo de escolher ou modificar o governo. Viver sob determinado regime não significa necessariamente tê-lo escolhido. Uma pessoa pode nascer sob uma ordem política que já existia antes de seu nascimento e passar toda a vida submetida a instituições que não ajudou a criar. Mesmo quando possui algum poder político, sua capacidade de alterar o regime pode ser extremamente limitada. Isso é especialmente evidente em regimes autoritários, nos quais o Estado controla os principais instrumentos de poder e restringe severamente a capacidade dos indivíduos de se organizar, protestar ou substituí-lo. Quando o Estado monopoliza a força, essa assimetria se torna ainda mais evidente. O cidadão pode discordar do governo, mas discordar não significa t...

Por que ficamos alegres quando nosso time vence?

Por que ficamos tão alegres quando nosso time vence, se a vitória não produz nenhum benefício material direto para nós? Nosso time ganha o jogo, mas não recebemos dinheiro, comida ou qualquer outro recurso. Ainda assim, podemos comemorar a vitória como se algo importante tivesse acontecido conosco. Uma possível explicação está na nossa história evolutiva. Durante grande parte da nossa história, vivemos em grupos cuja sobrevivência e prosperidade estavam ligadas às nossas próprias. Um grupo capaz de se defender de outros grupos, proteger seu território e conquistar recursos oferecia vantagens aos seus membros. Por isso, fazia sentido que nosso cérebro tratasse o sucesso do grupo como algo que também dizia respeito a nós. O grupo não era apenas um conjunto de outras pessoas. Em alguma medida, o grupo éramos nós. Essa tendência continua existindo mesmo quando o vínculo entre o sucesso do grupo e nossos benefícios individuais se torna muito mais distante. Quando nosso time vence, nosso cér...

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