Postagens

Como lidar com o fracasso?

Quando aquilo que desejamos não acontece, nossa primeira reação costuma ser insistir naquilo que estamos fazendo . Mas nem todo resultado depende de continuar tentando. Às vezes, já fizemos o suficiente e precisamos esperar. Em outras, precisamos encontrar meios melhores. E há situações em que o problema está no próprio objetivo que escolhemos. Essas três possibilidades formam o que podemos chamar de tríade reflexiva. A primeira é: já dei o meu melhor; agora preciso esperar as coisas acontecerem. Nem tudo está sob nosso controle. Podemos tomar as melhores decisões disponíveis, realizar os esforços necessários e ainda depender do tempo, das circunstâncias ou das ações de outras pessoas. Quando já fizemos aquilo que razoavelmente estava ao nosso alcance, insistir em novas ações pode significar apenas uma dificuldade em aceitar a espera. Nesse caso, a reflexão adequada é exercitar a paciência. A segunda é: ainda não fiz o suficiente; preciso pensar em melhores meios. Um resultado insatisf...

E se a nossa realidade for um experimento?

A hipótese da simulação costuma ser apresentada como a possibilidade de que o mundo em que vivemos tenha sido criado por uma civilização mais avançada. Mas, se essa hipótese for levada a sério, surge uma questão mais interessante: por que criar uma realidade como a nossa? Uma possibilidade é que ela seja um experimento. Um experimento existe para produzir conhecimento. Seus participantes são colocados em determinadas condições para que os pesquisadores possam observar o que acontece e descobrir algo que ainda não sabem. Se a nossa realidade for um experimento desse tipo, nossa existência poderia ter uma finalidade que desconhecemos. Isso mudaria a maneira como interpretamos o mundo em que vivemos. As condições da nossa existência (nossa inteligência limitada, nossa vulnerabilidade, a necessidade de tomar decisões sem conhecer todas as consequências e a exposição a situações imprevisíveis) poderiam não ser características acidentais da realidade. Poderiam ser precisamente algumas das co...

Escola sem Partido ou doutrinação?

O debate sobre educação costuma partir de uma preocupação legítima: como impedir que a escola seja utilizada para transmitir aos alunos as convicções pessoais de seus professores? Uma resposta possível é exigir que a escola seja neutra e impeça a defesa de determinadas posições em sala de aula. Outra é sustentar que os estudantes precisam conhecer diferentes perspectivas e que restringir a manifestação dessas posições também prejudica sua formação. O problema é que nenhuma dessas respostas, isoladamente, resolve a questão. Algumas aulas realmente podem transmitir convicções sem explicitar as razões que as sustentam. Quando uma posição é apresentada como algo que deve ser aceito, sem que seus fundamentos, evidências e limitações sejam examinados, a autoridade do professor pode substituir o julgamento do aluno. O estudante aprende o que pensar sem aprender a avaliar por que deveria pensar daquela maneira. A solução, porém, não consiste em proibir determinadas ideias ou exigir uma neutral...

Você está acumulando “ego coins”?

As redes sociais oferecem recompensas reais. Visualizações, curtidas, comentários e seguidores produzem reconhecimento, e o reconhecimento possui valor psicológico. O problema é que uma recompensa real não é necessariamente uma recompensa significativa. O reconhecimento social, porém, pode assumir formas diferentes. Uma coisa é ser aceito pelo grupo; outra é ocupar uma posição de maior status dentro dele. Embora nem todos busquem ascender socialmente, aqueles que buscam uma posição mais elevada tendem a investir mais recursos para conquistá-la.  Somos seres sociais em um mundo competitivo, no qual recursos e oportunidades são limitados. Por isso, o status importa. Uma posição social mais elevada pode proporcionar maior influência, acesso a recursos, oportunidades de relacionamento e outras vantagens concretas. Não é estranho, portanto, que as pessoas invistam esforço para obtê-lo. Nas redes sociais, essa dinâmica assume uma forma peculiar. Visualizações, curtidas e seguidores funci...

O que é ser de extrema esquerda ou extrema direita?

Esquerda e direita são geralmente distinguidas pelas posições que defendem sobre economia, Estado, costumes e organização social. Mas talvez seja possível compreendê-las de maneira mais profunda a partir dos valores que conferem unidade a essas posições. Jonathan Haidt nos oferece uma pista importante. Sua teoria dos fundamentos morais mostra que a esquerda tende a atribuir um peso particularmente elevado ao cuidado. Embora sua classificação não esgote os valores envolvidos nas diferentes orientações políticas, ela sugere que o cuidado ocupa uma posição especialmente importante na moralidade da esquerda. Se aceitarmos essa pista e partirmos da oposição entre esquerda e direita, podemos procurar o valor que ocupa uma posição correspondente no polo oposto. Na minha interpretação, esse valor é a responsabilidade. O cuidado estabelece que o sofrimento e a vulnerabilidade de uma pessoa constituem razões para que outras pessoas intervenham em seu benefício. A responsabilidade, por outro lado...

Redes sociais não são o problema

O problema das redes sociais não está necessariamente naquilo que elas permitem, mas naquilo que esperamos que elas sejam. À medida que passaram a ocupar um lugar central na circulação de informações e na formação de crenças, começamos a exigir delas funções que pertencem a outras instituições. Queremos que eduquem, filtrem ideias ruins e favoreçam o conhecimento de qualidade. Mas circulação de ideias e formação do julgamento são atividades diferentes. Redes sociais são espaços abertos de expressão, interação e confronto de ideias. Nelas, diferentes pessoas podem apresentar suas opiniões, contestar as opiniões de outras e entrar em contato com perspectivas que não encontrariam em seu círculo imediato. Por isso, ideias boas e ruins, informações verdadeiras e falsas, argumentos sofisticados e opiniões superficiais circulam lado a lado. Essa heterogeneidade não é uma anomalia que precisa ser eliminada. É uma consequência da abertura desses espaços. A educação possui outra função. Educar n...

Por que não é bom comer carboidrato e gordura ao mesmo tempo?

Nosso organismo é capaz de utilizar tanto carboidratos quanto gorduras como fontes de energia. O problema não está em consumir um ou outro, mas em combiná-los constantemente na mesma refeição. Isso porque, quando uma fonte de energia se torna mais disponível, o organismo ajusta o metabolismo para favorecer sua utilização. Ele é capaz de utilizar diferentes combustíveis, mas não os utiliza necessariamente com a mesma prioridade ao mesmo tempo. Quando consumimos carboidratos e gordura em uma refeição, oferecemos ao organismo duas fontes energéticas importantes simultaneamente. Como o corpo tende a priorizar os carboidratos quando há bastante glicose disponível, a oxidação de carboidratos aumenta, enquanto a oxidação de gordura é reduzida. A gordura consumida na mesma refeição não deixa de existir por causa disso. Ela continua disponível e, quando a demanda energética não é suficiente para utilizá-la, pode ser direcionada para armazenamento. A questão, portanto, não é que carboidratos ou ...

Postagens mais visitadas deste blog

Quais são os pontos fortes e fracos do estoicismo?

O que é um bom ser humano?

Como é a estrutura da evolução do saber humano?