O caminho do meio não é ficar em cima do muro
Um dos traços mais curiosos da modernidade é que ela raramente rejeita abertamente os valores morais tradicionais. Em vez disso, tende a simplificá-los. Conceitos que antes descreviam formas exigentes de excelência humana passam a designar atitudes mais fáceis, mais utilitárias e menos transformadoras. O filósofo do direito Lon Fuller chamou atenção para um exemplo especialmente revelador: a interpretação moderna do caminho do meio de Aristóteles. Hoje, muitas pessoas entendem essa expressão como sinônimo de moderação confortável, de evitar conflitos ou de “ficar em cima do muro”. Diante de uma discussão, o indivíduo equilibrado seria aquele que nunca toma posição forte, nunca se compromete demais e sempre procura a solução menos incômoda. Para Aristóteles, porém, o meio era justamente o contrário. A virtude não consiste em ocupar um ponto matemático entre dois extremos. Ela consiste em responder adequadamente à situação concreta. A coragem, por exemplo, não é metade covardia e metade ...