Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Psicologia

Por que “fazer o diabo para ganhar uma eleição” pode destruir uma nação?

Uma sociedade não se mantém unida apenas por leis, fronteiras ou instituições. Para que milhões de pessoas que não se conhecem aceitem viver sob as mesmas regras, é necessário algum grau de confiança. Essa confiança aparece de maneira particularmente clara nos contratos. Quando duas pessoas estabelecem um acordo, cada uma aceita assumir obrigações porque acredita que a outra também estará submetida ao que foi combinado. O contrato permite, assim, que pessoas que talvez nem confiem umas nas outras pessoalmente possam cooperar. O mesmo princípio vale para regras estabelecidas entre grupos. Se diferentes partes concordam previamente com determinadas condições, espera-se que elas continuem válidas mesmo quando, posteriormente, uma delas se torna inconveniente. Afinal, uma regra que só vale enquanto produz o resultado desejado por quem tem poder deixa de cumprir justamente a função para a qual foi criada. Uma disputa eleitoral torna esse problema especialmente evidente. Existe uma tentação ...

O propósito de vida pode tornar a felicidade mais intensa?

Se a felicidade é um tipo de alegria que surge quando sentimos orgulho do resultado de uma decisão consciente, ela não precisa ter sempre a mesma intensidade. Podemos nos orgulhar de uma decisão simples e, em outras ocasiões, experimentar um orgulho muito mais profundo diante de algo que consideramos especialmente importante. Uma possível explicação está na relação entre o resultado de nossas decisões e aquilo que consideramos o propósito de nossa vida. Aristóteles compreendia a vida humana a partir de uma função própria: desenvolver e exercer racionalmente as capacidades que nos caracterizam, o que se realiza por meio da prática das virtudes. Essa ideia oferece uma referência geral para pensar o que significa viver bem. Mas ela não determina, por si só, aquilo que cada pessoa considera sua contribuição específica no mundo. Cada indivíduo possui interesses, capacidades, relações e circunstâncias particulares. A partir deles, podemos identificar atividades e responsabilidades que assume...

É preciso tempo para saber se uma decisão foi boa?

Uma decisão pode parecer errada e, ainda assim, produzir bons resultados. Também pode parecer acertada e produzir consequências ruins. Em muitos casos, portanto, é preciso considerar a variável tempo para avaliar uma decisão. Isso acontece porque nem todas as consequências de uma ação aparecem imediatamente. Podemos fazer o nosso melhor, observar que aparentemente nada aconteceu e concluir que nossa decisão não produziu resultado algum. Mas uma ação pode ter iniciado um processo cujo resultado só aparecerá muito mais tarde. É como plantar uma semente. Depois de colocá-la na terra, durante algum tempo nada parece acontecer. Isso não significa que nada esteja acontecendo. O crescimento ocorre antes de poder ser percebido na superfície. O mesmo pode ocorrer com nossas decisões. Uma conversa pode não produzir nenhuma mudança perceptível naquele momento, mas alterar uma relação ao longo dos anos. Um estudo pode não gerar resultados imediatos, mas preparar o conhecimento que permitirá uma de...

Como lidar com o fracasso?

Quando aquilo que desejamos não acontece, nossa primeira reação costuma ser insistir naquilo que estamos fazendo . Mas nem todo resultado depende de continuar tentando. Às vezes, já fizemos o suficiente e precisamos esperar. Em outras, precisamos encontrar meios melhores. E há situações em que o problema está no próprio objetivo que escolhemos. Essas três possibilidades formam o que podemos chamar de tríade reflexiva. A primeira é: já dei o meu melhor; agora preciso esperar as coisas acontecerem. Nem tudo está sob nosso controle. Podemos tomar as melhores decisões disponíveis, realizar os esforços necessários e ainda depender do tempo, das circunstâncias ou das ações de outras pessoas. Quando já fizemos aquilo que razoavelmente estava ao nosso alcance, insistir em novas ações pode significar apenas uma dificuldade em aceitar a espera. Nesse caso, a reflexão adequada é exercitar a paciência. A segunda é: ainda não fiz o suficiente; preciso pensar em melhores meios. Um resultado insatisf...

Você está acumulando “ego coins”?

As redes sociais oferecem recompensas reais. Visualizações, curtidas, comentários e seguidores produzem reconhecimento, e o reconhecimento possui valor psicológico. O problema é que uma recompensa real não é necessariamente uma recompensa significativa. O reconhecimento social, porém, pode assumir formas diferentes. Uma coisa é ser aceito pelo grupo; outra é ocupar uma posição de maior status dentro dele. Embora nem todos busquem ascender socialmente, aqueles que buscam uma posição mais elevada tendem a investir mais recursos para conquistá-la.  Somos seres sociais em um mundo competitivo, no qual recursos e oportunidades são limitados. Por isso, o status importa. Uma posição social mais elevada pode proporcionar maior influência, acesso a recursos, oportunidades de relacionamento e outras vantagens concretas. Não é estranho, portanto, que as pessoas invistam esforço para obtê-lo. Nas redes sociais, essa dinâmica assume uma forma peculiar. Visualizações, curtidas e seguidores funci...

O que é ser de extrema esquerda ou extrema direita?

Esquerda e direita são geralmente distinguidas pelas posições que defendem sobre economia, Estado, costumes e organização social. Mas talvez seja possível compreendê-las de maneira mais profunda a partir dos valores que conferem unidade a essas posições. Jonathan Haidt nos oferece uma pista importante. Sua teoria dos fundamentos morais mostra que a esquerda tende a atribuir um peso particularmente elevado ao cuidado. Embora sua classificação não esgote os valores envolvidos nas diferentes orientações políticas, ela sugere que o cuidado ocupa uma posição especialmente importante na moralidade da esquerda. Se aceitarmos essa pista e partirmos da oposição entre esquerda e direita, podemos procurar o valor que ocupa uma posição correspondente no polo oposto. Na minha interpretação, esse valor é a responsabilidade. O cuidado estabelece que o sofrimento e a vulnerabilidade de uma pessoa constituem razões para que outras pessoas intervenham em seu benefício. A responsabilidade, por outro lado...

O que significa amar alguém?

Dizer “eu te amo” não significa necessariamente amar alguém. A mesma expressão pode descrever paixão, apego, desejo, gratidão, dependência ou um vínculo que se tornou habitual. Por isso, a intensidade do sentimento não é suficiente para determinar se existe amor. Uma diferença importante está naquilo que desejamos para a pessoa que amamos. Amar alguém significa desejar genuinamente o seu bem por ela mesma, e não apenas aquilo que recebemos da relação. Esse desejo também precisa possuir alguma estabilidade. Sentir vontade de cuidar de alguém em determinados momentos não é o mesmo que estar orientado de maneira consistente para o seu bem. Isso não significa que o amor seja um sentimento permanentemente intenso. A intensidade pode variar sem que o amor desapareça. O que importa é a estabilidade da disposição fundamental de querer o bem daquela pessoa. Podemos estar cansados, frustrados ou temporariamente distantes e, ainda assim, continuar desejando que ela esteja bem e reconhecendo sua i...

Quando a persistência se torna teimosia?

Resiliência, persistência e teimosia são frequentemente confundidas porque aparecem juntas diante das dificuldades. Mas elas dizem respeito a coisas diferentes. A resiliência é a capacidade de suportar as dificuldades; a persistência é a decisão de continuar agindo apesar delas; a teimosia surge quando continuamos agindo depois que deixamos de ter boas razões para fazê-lo. A resiliência, portanto, não exige que continuemos em um determinado caminho. Podemos suportar uma situação difícil e, ao mesmo tempo, concluir que não vale a pena permanecer nela. Nesse caso, desistir não é falta de resiliência, mas reconhecer que o objetivo que estamos buscando não vale mais a pena a ponto de justificar a condição de dificuldade que precisamos suportar. A persistência acrescenta uma decisão à capacidade de suportar. Quando consideramos que determinado objetivo continua sendo valioso, as dificuldades não são suficientes para nos fazer abandoná-lo. Persistir significa reconhecer os custos do caminho ...

Será que vale a pena se iludir?

Nem toda ilusão é imediatamente prejudicial. Uma crença pode ser falsa e, ainda assim, produzir efeitos que consideramos bons. Alguém que acredita que conseguirá superar uma dificuldade pode encontrar nessa expectativa a força necessária para continuar tentando. Nesse sentido, uma ilusão pode funcionar como combustível para a ação. Mas imagine uma pessoa perdida no deserto que avista uma miragem. A visão de água pode lhe dar forças para continuar caminhando. O problema aparece quando ela passa a orientar seus passos pela crença de que a água realmente está ali. A mesma ilusão que inicialmente lhe deu energia pode fazê-la desperdiçar suas últimas forças perseguindo algo que não existe. Isso revela uma diferença importante entre uma crença que nos motiva e uma crença que nos orienta. Para agir, precisamos de razões que nos levem a continuar. Mas, para escolher a direção correta, precisamos de uma representação suficientemente fiel da realidade. Uma crença falsa pode cumprir a primeira fu...

Quando um relacionamento não é verdadeiramente compatível?

Uma relação pode oferecer muitos benefícios sem ser, por isso, realmente satisfatória. Duas pessoas podem compartilhar conforto material, prazer sexual, companhia e projetos em comum e, ainda assim, experimentar a sensação de que algo fundamental está faltando. Isso acontece porque os benefícios proporcionados por uma relação não são necessariamente equivalentes ao valor da própria relação. O problema aparece quando tentamos compensar uma incompatibilidade fundamental pela quantidade de vantagens que conseguimos extrair dela. Uma vida materialmente confortável não elimina a sensação de vazio produzida por uma relação na qual não nos sentimos profundamente compreendidos. Ter alguém disponível para a satisfação sexual não resolve a insatisfação quando o desejo permanece voltado para outras pessoas. Compartilhar projetos também não basta quando, ao refletirmos sobre eles, não vemos um real sentido no que estamos construindo juntos. Uma relação profundamente compatível não precisa abrir mã...

Por que a dor é uma professora melhor do que o prazer?

A dor não é necessariamente boa, mas pode ser uma professora particularmente eficiente. Isso acontece porque ela interrompe nossa tendência de simplesmente continuar agindo como antes. Quando algo nos causa sofrimento, somos levados a perguntar o que está errado e o que precisamos fazer para mudar a situação. O prazer produz uma informação diferente. Ele nos indica que determinada situação é satisfatória, mas raramente exige que investiguemos suas causas. Podemos desfrutar de algo sem compreender por que aquilo nos faz bem. A dor, ao contrário, cria um problema que precisa ser explicado. Ela transforma uma experiência em uma pergunta. Nos seres humanos, essa pergunta pode ser aprofundada pela autoconsciência. Não apenas sentimos sofrimento; podemos investigar sua origem, reconhecer padrões e avaliar nossas próprias respostas. Uma pessoa pode perceber, por exemplo, que determinada experiência a levou a desenvolver uma visão negativa de si mesma e, a partir disso, procurar compreender co...

Como deixar de se sentir incapaz?

Uma pessoa pode subestimar o próprio potencial quando está sofrendo. Assim como uma ferida física pode limitar nossos movimentos, uma ferida psíquica pode fazer com que interpretemos nossas próprias capacidades de maneira mais negativa. Podemos começar a nos perceber como incapazes, mesmo quando ainda possuímos capacidades que não estamos utilizando. Há, porém, uma diferença importante entre uma ferida física e uma ferida psíquica. Quando temos uma ferida física, movimentá-la pode aumentar o sangramento. Em uma ferida psíquica, agir na direção daquilo que consideramos importante pode produzir o efeito contrário: podemos começar a criar experiências que contradizem a percepção de que somos incapazes. Realizar algo que consideramos significativo produz uma experiência concreta de competência. Sentir orgulho por aquilo que conseguimos fazer não é apenas uma sensação agradável; pode ser também uma evidência para nós mesmos de que somos capazes de produzir resultados que valorizamos. Uma re...

Quando a coerência se torna um erro?

Existe uma forma pouco percebida de viés: permanecer fiel às próprias escolhas passadas porque abandoná-las significaria admitir que foram ruins. Podemos continuar em um relacionamento, uma profissão ou um projeto não porque ainda os consideramos bons, mas porque desistir deles afetaria nossa reputação ou nosso status diante dos outros. Nesse caso, a preocupação com coerência se transforma em uma forma de escravidão. Em vez de reavaliar aquilo que escolhemos, passamos a defender nossa escolha anterior para evitar admitir que erramos. Mas uma decisão ruim não se torna boa porque já investimos nela tempo, esforço ou reputação. Se percebemos que uma escolha foi equivocada, devemos ser coerentes com aquilo que atualmente reconhecemos como correto, e não com aquilo que decidimos no passado. Mudar de opinião ou abandonar um caminho pode ser justamente a forma mais racional de preservar nossa autonomia. A racionalidade exige, portanto, uma relação particular com nossas próprias decisões: deve...

Como tornar a democracia mais democrática?

A democracia representativa resolveu um problema importante: como permitir que milhões de pessoas participem do governo sem que precisem decidir pessoalmente sobre cada questão política. Elegemos representantes para tomar decisões em nosso nome. Mas essa solução cria outro problema: a distância entre aquilo que os cidadãos desejam e aquilo que o Estado efetivamente decide. Escolher os governantes é uma forma importante de participação política, mas não é a única questão relevante. Entre uma eleição e outra, representantes e instituições tomam inúmeras decisões que podem ser profundamente contrárias àquilo que a maioria dos cidadãos considera desejável. Quanto maior essa distância, maior pode ser a percepção de que determinadas regras não pertencem realmente àqueles que precisam obedecê-las. Isso ajuda a compreender um fenômeno como o jeitinho brasileiro. Nem todo jeitinho é uma forma de resistência: muitas vezes ele é simplesmente oportunismo ou uma tentativa de obter uma vantagem pess...

Como a educação pode libertar?

Só existe dominação quando alguém se submete ao dominador. Isso parece óbvio, mas às vezes é difícil enxergar o óbvio. Um conhecido me contou que certa vez foi a uma cidade do interior para dar uma palestra sobre liberdade. Durante a palestra, uma pessoa de baixa renda perguntou: “Mas é possível ser livre?” A pergunta revela um problema mais profundo. Uma pessoa pode se submeter porque desconhece a possibilidade de viver de outra maneira. Se ela acredita que não é possível ter uma vida com liberdade de escolha, continuar obedecendo pode parecer não uma escolha, mas a única alternativa disponível. Na maioria das vezes, porém, a submissão envolve medo. E, em última instância, o medo da morte. Para dominar alguém, pode ser suficiente fazê-lo acreditar que, se deixar de obedecer, não conseguirá sobreviver. É aí que a manipulação da informação se torna uma ferramenta poderosa de dominação. O dominador pode convencer o outro de que ele é incapaz de se virar sozinho, ingênuo demais para tomar...

Por que as ciências sociais precisam da Psicologia?

A Psicologia está engatinhando, e isso não ocorre porque seja uma ciência recente, mas porque ainda não possui uma compreensão suficientemente sólida da natureza humana. E enquanto a Psicologia estiver engatinhando, as ciências sociais estarão rastejando. Uma ciência do comportamento precisa explicar por que os organismos que estuda possuem determinadas características. No caso humano, isso exige considerar que nossa mente é produto de um processo evolutivo. Nossos mecanismos psicológicos não surgiram ao acaso: foram moldados por pressões que favoreceram determinadas formas de percepção, motivação, emoção e comportamento. Uma explicação psicológica que ignora essa história pode descrever o funcionamento de um mecanismo sem explicar adequadamente por que uma mente humana possui esse mecanismo. Esse problema aparece quando teorias psicológicas são construídas a partir de hipóteses complexas sobre o funcionamento da mente sem que se examine se esses mecanismos são compatíveis com aquilo q...

Como não ser manipulado?

Uma teoria sobre a evolução da inteligência humana sustenta que parte da pressão que levou ao desenvolvimento de nossas capacidades cognitivas veio da necessidade de lidar com outros indivíduos cada vez mais capazes de nos manipular. Para evitar ser explorado por membros do próprio grupo, era preciso compreender suas intenções e antecipar suas estratégias. Essa pressão não desapareceu. Continuamos convivendo com pessoas capazes de identificar e explorar nossas inclinações psicológicas, mas hoje esse conhecimento pode ser utilizado de maneira deliberada para influenciar nossas decisões. Tendências ancestrais, como confiar no que uma autoridade afirma ou atribuir valor ao que outras pessoas disputam, podem ser exploradas para nos levar a acreditar, desejar ou fazer algo. Conhecer essas inclinações é uma forma de proteção. O problema é que existem muitas delas, e cada uma pode exigir uma estratégia específica de defesa. É difícil transformar o conhecimento de dezenas de vieses em uma prát...

Qual é a emoção adequada em uma conversa?

Comunicação Não Violenta , de Marshall Rosenberg, enfatiza a compaixão como elemento central da comunicação. A ideia é valiosa, mas se torna problemática quando transformada em princípio geral. A obra atribui à compaixão um papel privilegiado na comunicação, como se essa fosse a emoção especialmente adequada para orientar nossas conversas. A compaixão é importante, mas não é adequada para todas as situações. Uma conversa pode envolver objetivos e circunstâncias muito diferentes, e cada uma delas pode exigir uma resposta emocional distinta. Quando alguém fala injustamente de outra pessoa, por exemplo, um certo grau de raiva pode ser apropriado. A indignação pode nos motivar a chamar a atenção para a injustiça sem que, por isso, precisemos recorrer à agressão. O medo também pode ter uma função legítima. Quando estamos inseguros sobre uma posição nossa e percebemos que defendê-la pode levar um grupo a uma decisão equivocada, o medo pode nos levar a reconsiderar aquilo que pretendemos dize...

Por que as pessoas mentem?

As pessoas mentem porque a mentira pode proporcionar vantagens, especialmente no curto prazo. Ela funciona, porém, por uma razão mais fundamental: somos seres sociais e, para cooperar, precisamos confiar uns nos outros. Grande parte da nossa vida depende da cooperação: fazemos acordos, estabelecemos amizades, trabalhamos juntos e formamos alianças. Para que isso seja possível, precisamos partir de uma disposição básica de confiança. Se exigíssemos provas de tudo o que ouvimos, a comunicação cotidiana e a própria cooperação se tornariam inviáveis. É justamente essa disposição à confiança que torna a mentira eficaz. Por agirmos com base em informações incompletas, na maior parte do tempo presumimos que os outros estão dizendo a verdade. Quem mente explora essa expectativa: fornece uma informação falsa esperando que o outro acredite nela e aja de acordo com ela. A mentira pode, então, permitir que alguém evite uma punição, obtenha uma vantagem, esconda um erro ou influencie o comportament...

O que esperamos de um líder?

Os seres humanos não rejeitam necessariamente diferenças de autoridade, reconhecimento ou privilégio; aceitam-nas quando parecem corresponder a diferenças relevantes de competência. O problema não é simplesmente alguém ocupar uma posição superior, mas se há razões para que a ocupe e se sua atuação corresponde às expectativas associadas à posição. Uma distinção útil para compreender esse fenômeno é aquela entre status de dominação e status de prestígio. A dominação baseia-se na capacidade de impor custos aos demais; o prestígio, no reconhecimento de habilidades ou conhecimentos que os outros consideram valiosos. No primeiro caso, segue-se alguém porque ele pode obrigar. No segundo, porque parece vantajoso ouvi-lo, imitá-lo ou recorrer à sua orientação. A liderança baseada em prestígio, portanto, não elimina a hierarquia, mas oferece uma razão para aceitá-la. Essa razão, contudo, cria expectativas. Quem recebe autoridade em virtude de sua competência deve utilizá-la em benefício daqueles...

Postagens mais visitadas deste blog

Quais são os pontos fortes e fracos do estoicismo?

O que é um bom ser humano?

Como é a estrutura da evolução do saber humano?