Quando um relacionamento não é verdadeiramente compatível
Uma relação pode oferecer muitos benefícios sem ser, por isso, realmente satisfatória. Duas pessoas podem compartilhar conforto material, prazer sexual, companhia e projetos em comum e, ainda assim, experimentar a sensação de que algo fundamental está faltando. Isso acontece porque os benefícios proporcionados por uma relação não são necessariamente equivalentes ao valor da própria relação.
O problema aparece quando tentamos compensar uma incompatibilidade fundamental pela quantidade de vantagens que conseguimos extrair dela. Uma vida materialmente confortável não elimina a sensação de vazio produzida por uma relação na qual não nos sentimos profundamente compreendidos. Ter alguém disponível para a satisfação sexual não resolve a insatisfação quando o desejo permanece voltado para outras pessoas. Compartilhar projetos também não basta quando, ao refletirmos sobre eles, não vemos um real sentido no que estamos construindo juntos.
Uma relação profundamente compatível não precisa abrir mão desses benefícios. O que muda é a maneira como eles se integram à vida compartilhada. O conforto material deixa de ser apenas uma compensação e passa a servir a um projeto que ambos valorizam. A sexualidade deixa de ser apenas uma fonte de satisfação e se torna parte da intimidade entre duas pessoas que realmente desejam uma à outra. Os projetos deixam de ser simplesmente objetivos convenientes e passam a expressar uma direção de vida que ambos reconhecem como valiosa.
Um milhão de ganhos secundários não necessariamente compensa a ausência daquilo que, para nós, constitui o ganho primário de uma relação: encontrar alguém com quem seja possível construir uma vida que faça sentido para ambos.
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