Por que devemos nos comparar com os outros?
É comum ouvir que não devemos nos comparar com outras pessoas, mas apenas com quem éramos no passado. A ideia pretende evitar que a comparação produza uma percepção de inferioridade ou superioridade e, com isso, nos leve a adotar uma postura crônica de autodepreciação ou arrogância. Mas há dois problemas com essa ideia.
Primeiro, comparar-nos apenas com quem éramos no passado pode permitir perceber se estamos progredindo, mas essa comparação, por si só, não nos mostra necessariamente em que outras direções poderíamos melhorar ou até onde podemos chegar. Nesse sentido, outras pessoas podem revelar possibilidades de desenvolvimento, amplitude e alcance que ainda não percebemos em nós mesmos.
Segundo, podemos chegar a conclusões verdadeiras de que somos inferiores ou superiores a outras pessoas em determinadas dimensões sem que isso nos leve à autodepreciação ou à arrogância. Uma pessoa pode perceber honestamente que possui determinada capacidade desenvolvida em um grau menor ou maior do que outra sem, por isso, concluir que é inferior ou superior em todos os aspectos.
Ou seja, posso reconhecer que alguém é mais habilidoso do que eu em determinada dimensão sem me considerar inferior ou superior a essa pessoa como um todo. Da mesma maneira, posso reconhecer que sou superior a alguém em determinadas dimensões sem concluir que não tenho nada a aprender com ela.
Essa distinção é importante porque uma comparação pode ir além de uma conclusão sobre nossa condição de ser superior ou inferior de uma maneira geral, produzindo uma percepção sobre capacidades que podemos desenvolver.
Assim, a comparação pode produzir uma percepção útil: há algo que essa pessoa possui e que eu não possuo no mesmo grau. Quando reconhecemos que somos inferiores em alguma dimensão de atuação, isso pode revelar diretamente que temos algo a aprender com o outro.
O problema, portanto, não está em descobrir que somos melhores ou piores do que alguém em determinada dimensão. O problema é pararmos por aí. Podemos ir além e reconhecer nossa superioridade sem arrogância, nossa inferioridade sem autodepreciação e, em ambos os casos, permanecer dispostos a aprender com o outro.
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