Por que muitas pessoas acham a filosofia inútil?
No senso comum, filosofar costuma ser associado a devaneios, abstrações distantes da realidade ou discussões que não produzem resultados concretos. Essa percepção se estabeleceu, em parte, porque muitas pessoas não entendem bem o que a filosofia é e, sobretudo, o que ela pode produzir (algo que constitui justamente um dos principais critérios pelos quais julgamos algo útil ou inútil).
A filosofia não precisa produzir diretamente um medicamento, um aplicativo ou uma máquina para produzir efeitos importantes. Uma de suas funções é antecipar possibilidades teóricas. O filósofo pode formular hipóteses e construir sistemas explicativos sobre questões que a ciência ainda não consegue investigar empiricamente. Quando essas hipóteses podem ser testadas, elas entram no domínio da investigação científica e podem ser confirmadas, modificadas ou abandonadas.
Ainda no domínio do avanço do conhecimento científico, outra função da filosofia é sistematizar conhecimentos que já possuímos. Os dados empíricos não vêm acompanhados de uma interpretação única. É preciso estabelecer relações entre eles, definir conceitos, identificar pressupostos e construir explicações coerentes. Quando alguém procura compreender o que determinado conjunto de evidências significa e como ele se relaciona com outras ideias, já está realizando um trabalho de natureza filosófica.
Já no âmbito do indivíduo, a filosofia também exerce uma função menos visível, mas fundamental: aperfeiçoar nossa capacidade de pensar. Ela exige que examinemos pressupostos, distingamos conceitos, identifiquemos contradições e submetamos nossas próprias ideias a critérios de coerência e justificação, o que favorece a tomada de decisões mais adequadas, tanto individualmente quanto coletivamente.
Assim, uma sociedade pode ganhar muito com o que a filosofia faz sem perceber exatamente de onde vieram esses benefícios. Parte de sua utilidade aparece nos resultados de outras atividades, e não na própria atividade filosófica, o que faz com que muitas pessoas não percebam sua importância.
Pensata:
“Filósofos são, muitas vezes, servos da posteridade: semeiam aquilo que outras gerações colherão.”
Gostou desta reflexão? No Ensaios de um Polímata, minhas ideias são reunidas e organizadas em uma sequência didática para formar uma visão mais ampla sobre a mente humana, a sociedade e grandes questões da filosofia.
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