Como ligar menos para o que os outros pensam?

Não é possível (e provavelmente nem desejável) deixar de se importar completamente com o que os outros pensam. Somos seres sociais, e a maneira como somos avaliados pelos demais pode produzir consequências reais para nossa vida. O problema surge quando atribuímos ao julgamento alheio uma importância maior do que ele realmente possui.

Uma pessoa pode, por exemplo, deixar de publicar um vídeo, expressar uma opinião ou se expor de alguma outra maneira porque teme ser julgada negativamente. Ao evitar a situação, porém, ela também deixa de descobrir se aquilo que teme realmente possui a gravidade que imagina.

É por isso que uma das maneiras mais eficazes de passar a se importar menos com o julgamento dos outros é expor-se progressivamente a ele.

Isso não significa fazer qualquer coisa sem considerar suas consequências. Não há razão para agir de maneira irresponsável ou prejudicar outras pessoas apenas para demonstrar que não nos importamos com suas opiniões. Trata-se, antes, de deixar de evitar ações legítimas apenas porque podem provocar desaprovação.

Quando nos expomos, podemos descobrir que a experiência de ser julgados é frequentemente menos grave do que imaginávamos. Podemos publicar algo e receber críticas. Podemos dizer algo e perceber que algumas pessoas discordam. Podemos cometer um erro e sentir vergonha.

A emoção pode ser desagradável, mas ela passa.

Essa experiência é importante porque nossa mente não modifica suas avaliações apenas a partir daquilo que sabemos racionalmente. Podemos compreender que uma crítica não representa uma catástrofe e, ainda assim, continuar sentindo medo de sermos criticados. Precisamos também experimentar a situação e perceber que somos capazes de suportar suas consequências.

Evitar permanentemente aquilo que tememos impede justamente essa aprendizagem. Quando fugimos da situação assim que sentimos vergonha ou ansiedade, preservamos a impressão de que aquilo era perigoso demais para ser enfrentado. A exposição exige permanecer tempo suficiente para sentir o desconforto e descobrir o que acontece depois dele.

Em muitos casos, descobrimos algo simples: nada de decisivo acontece.

Essa aprendizagem também precisa ocorrer nas diferentes dimensões em que a preocupação com o julgamento se manifesta. Uma pessoa pode conseguir falar em público e continuar tendo medo de expressar determinadas opiniões. Pode superar a timidez em relações profissionais e continuar temendo a rejeição amorosa. Superar um medo não elimina automaticamente todos os outros.

Por isso, pode ser útil identificar os contextos específicos nos quais evitamos agir por medo do julgamento e enfrentá-los progressivamente.

Aprender a ligar menos para o que os outros pensam exige, portanto, nos expor progressivamente às avaliações que tememos, permitindo que a experiência nos mostre que somos capazes de suportá-las.

A autenticidade, nesse sentido, não consiste em acreditar que ninguém nos julgará negativamente. Tampouco consiste em tornar-se indiferente à opinião de todas as pessoas. Consiste em não permitir que o medo de uma possível desaprovação determine automaticamente aquilo que fazemos.

Quanto mais agimos apesar da possibilidade de sermos julgados e percebemos que somos capazes de suportar essa experiência, menor tende a ser o poder que o julgamento dos outros exerce sobre nossas escolhas.

Se você tem interesse em discutir questões como essa com mais profundidade, mantenho um espaço (Salão Filosófico) onde esse tipo de análise é levado adiante em grupo.

O Salão Filosófico acontece de forma pontual, com encontros online voltados ao debate sério de ideias.

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