O que é arrogância?
Existem pessoas melhores do que outras em diferentes dimensões da vida. Algumas são mais inteligentes, outras mais corajosas, mais disciplinadas ou mais generosas. Se considerarmos a média de determinadas qualidades, também é possível que uma pessoa seja, de maneira geral, superior a outra.
Isso é semelhante ao que ocorre em alguns jogos de videogame, nos quais um personagem recebe uma classificação geral com base na combinação de diferentes atributos. Um jogador pode ter uma classificação geral superior à de outro e, ainda assim, ser inferior a ele em uma característica específica.
Reconhecer isso não é necessariamente arrogância.
Uma pessoa pode perceber honestamente que possui determinadas capacidades desenvolvidas em um grau maior do que a maioria das pessoas sem, por isso, acreditar que vale mais como ser humano ou que é superior em todos os aspectos.
A arrogância começa quando essa percepção deixa de ser limitada.
O arrogante não apenas acredita ser melhor do que algumas pessoas em determinadas dimensões. Ele tende a acreditar que sua superioridade é tão ampla que quase ninguém tem algo relevante a lhe ensinar.
É como se suas próprias qualidades se transformassem em uma espécie de crédito que pudesse ser utilizado em todas as áreas da vida. Por ser inteligente, passa a acreditar que compreenderá melhor qualquer assunto. Por ter tido sucesso em uma área, imagina que suas opiniões serão naturalmente superiores em outras.
Assim, o arrogante pode até ser bom em reconhecer os defeitos dos outros, mas falha em perceber que também possui pontos cegos.
E é justamente aí que a arrogância se torna particularmente prejudicial. Ela não apenas produz uma opinião elevada sobre nós mesmos, mas também a crença de que temos pouco a aprender com os outros, enfraquecendo nossa disposição para aprender.
Uma pessoa pode ser superior à média em muitas dimensões e, ainda assim, encontrar pessoas que sabem mais do que ela sobre determinados assuntos. Alguém pode compreender profundamente a mente humana e, ao mesmo tempo, saber pouco sobre jardinagem, culinária ou programação.
Quem reconhece e internaliza essa ideia, a meu ver, deixa de ser arrogante e passa a ser intelectualmente humilde.
A humildade intelectual não exige que finjamos ser iguais a todas as pessoas em todas as dimensões. Ela exige apenas que reconheçamos que nenhuma superioridade relativa nos torna superiores em absoluto e, portanto, que todos têm algo a nos ensinar.
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