O “sucessômetro” da nossa cultura está precisando de manutenção

O que significa ser bem-sucedido na vida? As respostas costumam variar. Para alguns, significa ter saúde; para outros, ter saúde e não passar necessidade. Há quem considere necessário também ter dinheiro suficiente para viver sem grandes preocupações financeiras. Outros acrescentam uma família, bons amigos, respeito, admiração ou reconhecimento dentro da própria área de atuação.

Nada disso é irrelevante. O problema é que podemos estar confundindo condições para uma vida bem-sucedida com o próprio sucesso.

Se viemos ao mundo com um propósito, saúde, dinheiro, família, amizades e reconhecimento são extremamente importantes, mas ocupam um lugar secundário. São bens que nos dão melhores condições para realizar aquilo que viemos realizar. Ter dinheiro, por exemplo, amplia nossas possibilidades de ação; ter saúde nos permite permanecer ativos; ter boas relações nos proporciona apoio e estabilidade. Mas nenhum desses elementos, isoladamente, nos diz se estamos cumprindo nosso propósito.

É como se nossa cultura tivesse construído um aparelho para medir o sucesso, mas calibrado esse aparelho com os indicadores mais fáceis de observar. Quanto dinheiro você tem? Qual é o seu cargo? Quantas pessoas conhecem você? Quantos seguidores possui? Quanto reconhecimento recebeu? Mas isso tudo, em vez de medir se você está cumprindo o propósito de sua existência atual, mede apenas coisas que nossa cultura aprendeu a associar ao sucesso.

Uma pessoa pode acumular dinheiro, conquistar status e ser admirada por milhares de pessoas e, mesmo assim, estar desperdiçando sua existência. Outra pode ter pouco dinheiro, nenhum prestígio e quase nenhum reconhecimento e, ainda assim, estar realizando aquilo que deveria realizar.

No entanto, a primeira pessoa provavelmente é vista como bem-sucedida e a segunda, não. Entendo, então, que o “sucessômetro” da nossa cultura mede bem apenas coisas secundárias, mas que, para medir o que seria realmente uma vida que vale a pena ser vivida, precisaria de uma espécie de recalibragem.

Como não podemos contar muito com esse aparelho, por enquanto, nos resta realizar um autoexame e nos perguntar não apenas “quanto sucesso eu alcancei?”, mas “sucesso em quê?”

Se a existência humana possui um propósito, precisamos avaliar nossa vida em relação a ele. O sucesso deixa de ser simplesmente a quantidade de bens que acumulamos ou de reconhecimento que recebemos e passa a ser o grau em que conseguimos cumprir aquilo que nossa existência nos exige, ou seja, aquilo que entendemos ser nossa missão de vida.

Se você tem interesse em discutir questões como essa com mais profundidade, mantenho um espaço (Salão Filosófico) onde esse tipo de análise é levado adiante em grupo.

O Salão Filosófico acontece de forma pontual, com encontros online voltados ao debate sério de ideias.

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