Será que o homem precisa amar a mulher mais do que a mulher ama o homem?

Essa pergunta pode parecer absurda à primeira vista. Afinal, se duas pessoas decidem estabelecer uma parceria para a vida, parece razoável esperar que ambas estejam igualmente interessadas em promover o bem uma da outra.

Mas, para clarificar essa questão, entendo ser necessário distinguir a intensidade do amor da forma de expressão do amor.

Em termos evolucionistas, homens e mulheres enfrentaram problemas parcialmente diferentes ao longo de sua história evolutiva. A mulher assumia diretamente os custos da gestação, do parto e dos primeiros cuidados com os filhos. O homem, por sua vez, podia aumentar as chances de sobrevivência da mulher e dos filhos por meio da proteção e da provisão de recursos, inclusive assumindo riscos que poderiam comprometer a própria vida.

Isso pode ajudar a explicar algumas diferenças nas preferências por parceiros. Para o homem, características físicas relacionadas à saúde e à capacidade reprodutiva da mulher poderiam ter adquirido especial importância. A beleza, nesse contexto, pode funcionar como uma das pistas de saúde e aptidão reprodutiva.

Para a mulher, por outro lado, poderia ser especialmente importante encontrar um homem disposto a investir nela e nos filhos, protegê-los e assumir os riscos necessários para isso.

Se for assim, poderíamos ser tentados a concluir que o homem precisaria amar mais: afinal, estaria biologicamente preparado para assumir maiores riscos em benefício da mulher e dos filhos, inclusive o risco de perder a própria vida.

Mas há um problema nessa conclusão.

O homem que protege precisa permanecer apto a proteger. E, para isso, também precisa ser cuidado.

Uma mulher que ama seu parceiro pode, portanto, promover o bem dele justamente para preservar sua capacidade de continuar promovendo o bem dela e dos filhos. Se ela negligenciar completamente a saúde, a segurança ou o bem-estar dele, poderá acabar comprometendo a própria segurança.

Isso significa que o investimento de um não é necessariamente maior do que o do outro apenas porque assume uma forma diferente.

O homem pode estar mais disposto a correr determinados riscos para proteger a mulher. A mulher pode estar mais disposta a cuidar dele para que ele permaneça apto a protegê-la. Ambos podem, portanto, estar promovendo intensamente o bem do outro, mas por caminhos diferentes.

Nesse sentido, se entendermos o amor como a disposição de promover o bem de alguém, não temos necessariamente motivos para concluir que o homem deve amar mais a mulher ou que a mulher deve amar mais o homem. A conclusão mais razoável parece ser a de que cada um precisa amar suficientemente o outro para que ambos permaneçam aptos a promover o bem um do outro, ainda que de diferentes maneiras.

Se você tem interesse em discutir questões como essa com mais profundidade, mantenho um espaço (Salão Filosófico) onde esse tipo de análise é levado adiante em grupo.

O Salão Filosófico acontece de forma pontual, com encontros online voltados ao debate sério de ideias.

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