O que é a felicidade?

Aristóteles oferece valiosas reflexões sobre a felicidade e, para compreendê-la melhor, podemos ampliar suas ideias incorporando conceitos da Psicologia Evolucionista. Ele argumenta que, entre os animais, apenas os seres humanos são capazes de experimentar a felicidade e que ela é o objetivo final de nossas vidas. Para Aristóteles, alcançar a felicidade exige o uso da razão, sendo a felicidade, portanto, um tipo de prazer mais elevado.

Mas qual tipo de prazer só os seres humanos podem sentir? Certamente, é um prazer que depende da nossa consciência de sermos agentes no mundo, ou seja, da percepção de que nossas ações causam efeitos. Com isso, descartamos os prazeres ligados ao sexo, à comida e à bebida, que Aristóteles classifica como prazeres do contato. Esses prazeres, que envolvem a interação física com o mundo, são compartilhados por outros animais.

Também descartamos o prazer da satisfação mais simples, que surge quando atingimos um objetivo, seja ao pegar uma fruta da árvore, seja ao conquistar status e riqueza. Aristóteles chama esse prazer de alegria. Esse prazer outros animais também podem experimentar. A diferença entre nós e eles é que somos capazes de estabelecer objetivos mais complexos e específicos.

Já sabemos o que não é felicidade, mas o que ela é, de fato? A chave para isso é a afirmação de Aristóteles de que, para sentir felicidade, é necessário o uso da razão. Em outras palavras, a felicidade é um prêmio dado pela racionalidade.

Com base nessa noção e utilizando a abordagem evolucionista, podemos concluir que a felicidade é um prazer selecionado pela evolução por nos incentivar a agir de maneira racional: a forma de agir que nos coloca em vantagem na luta pela sobrevivência em relação aos outros animais.

Mas, então, o que é a felicidade? O único prazer que parece atender a todos esses requisitos é aquele que surge quando sentimos orgulho das consequências de nossas ações racionais. Esse é o prazer que experimentamos ao olhar para o passado e nos orgulharmos do que fizemos, seja consertar um chuveiro, seja escrever um best-seller.

Esse tipo de prazer é único para os seres humanos, pois exige a percepção de que o resultado foi fruto de decisões conscientes e racionais. Um pintor, por exemplo, só sente orgulho de sua obra porque reconhece que ela é resultado de suas escolhas bem fundamentadas, como as decisões sobre quais combinações de cores utilizar, baseadas no conhecimento que possui. Só assim ele pode perceber que a obra é um reflexo do seu uso da razão.

Pensatas:

“No fim das contas, todos buscam a felicidade, mas poucos sabem o que ela é de verdade.”

“Você diz que não se arrepende de nada, mas se orgulha das coisas que fez?”

Se você tem interesse em discutir questões como essa com mais profundidade, mantenho um espaço (Salão Filosófico) onde esse tipo de análise é levado adiante em grupo.

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