Por que a prática de vícios é fundamental para o desenvolvimento das virtudes?

Por mais surpreendente que pareça, conhecer os vícios, e até experimentá-los, em certa medida, é essencial para o desenvolvimento das virtudes. 

Isso porque, como ensina Aristóteles, (1) a virtude está no meio termo entre dois vícios, sendo que um deles costuma estar mais próximo da virtude do que o outro; e (2) encontrar esse meio termo é extremamente difícil. 

Essas duas afirmações implicam que precisamos, primeiro, reconhecer qual vício está presente em nossa personalidade e, em seguida, buscar nos aproximar da virtude correspondente. Porém, nesse esforço, é comum acabarmos cometendo o vício oposto ao nosso, e tudo bem. Esse desvio faz parte do processo de aprendizado. 

Por exemplo, alguém que se reconhece como covarde precisa aceitar que, ao tentar ser mais corajoso, pode acabar cometendo atos temerários, ou seja, se expondo a riscos desnecessários. Tais exageros, no entanto, contribuem para o enfraquecimento gradual da covardia. 

Com o tempo, e a partir da reflexão sobre os excessos cometidos, a pessoa poderá ajustar sua conduta e tomar decisões genuinamente corajosas em um número cada vez maior de situações, ou seja, aprenderá a agir bem em situações de domínio do medo, discernindo quando o mais adequado diante de uma ameaça é enfrentá-la ou evitá-la.

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